Em 2004 fui cobrir a Olimpíada de Atenas e antes de viajar recebi telefonema do Joaquim Nogueira (sim, ele mesmo, o doador do terreno onde foi erguida a Arena do Jacaré), pedindo que eu levasse umas “lembrancinhas” dele e da esposa Maria, para um casal amigo deles, um grego e a sua mulher, que morou em torno de 50 anos em Sete Lagoas.

Eram ninguém menos que o Denis Spyridion Anastassatos e sua segunda esposa, Katerina, que foi Miss Grécia. Denis foi um comerciante de muito sucesso na cidade com a sua Loja Paulista (na Praça Francisco Sales), que inovou em tudo trazendo uma loja de departamentos para uma Sete Lagoas eminentemente rural naqueles tempos. Um grego que adorava futebol e foi um bom presidente do Democrata (e depois também do Bela Vista), nos anos 1960/1970.
Me lembrava dele, mas eu era criança quando retornou para a Grécia. Contatos feitos, telefonemas trocados entre ele e Joaquim, lá estavam ele e a Katerina me aguardando no saguão de desembarque do Aeroporto Internacional Elefthérios Venizélos. Para ser identificado e agradar ao ex-presidente, eu estava vestido com a tradicional camisa do Democrata, em listras vermelhas e brancas.
Elegante, sorriso largo, seus inconfundíveis óculos estampados no rosto, o reconheci de imediato, e ele me deu um abraço como se fôssemos velhos amigos. Katerina, bastante mais jovem que ele, também simpatia em pessoa.
Era por volta das 11 horas e ele disse que na estrada, almoçaríamos em um restaurante à beira-mar, que eles gostavam muito. Entramos no luxuoso e enorme carro dele e começamos percorrer os 45 quilômetros de distância até o centro de Atenas.
Nos primeiros quilômetros torci fervorosamente para que o restaurante chegasse logo. Não que estivesse com fome, mas porque o anfitrião não era um exemplo de motorista. Denis Spyridion estava muito curioso para saber tudo do Joaquim Nogueira, amigos comuns a eles, e sobre Sete Lagoas, de onde se mudara há mais de 30 anos. Dirigia, perguntava, falava e pouco olhava para a estrada e demais carros na estrada. Entre buzinas e xingamentos de outros motoristas, foi um sufoco até chegar ao restaurante à beira mar.
Um lugar enorme, requintado e lotado. Mesa reservada com vista para o mar, o maitre nos guiava por entre as mesas e de repente notamos um movimento diferente com assovios e vaias. Nos sentamos e notamos que quase todos os presentes nos olhavam, vários com fisionomias nada amistosas.
Assustado, Denis chamou o maitre e, em grego, perguntou o que estava havendo. Diante da resposta do maitre, que olhava e apontava o dedo em minha direção, o ex-presidente democratense deu uma gargalhada. Se levantou, pediu atenção a todos, iniciou um discurso pediu que eu me levantasse. O semblante das pessoas começou mudar completamente e daí a pouco, sorrisos e aplausos efusivos quando o Denis acabou de falar. Ele pediu que eu sorrisse também e acenasse para todos, fazendo gestos de agradecimentos.
Voltamos a nos sentar e ele traduziu tudo o que estava acontecendo: o restaurante era um ambiente frequentado por torcedores do Panathinaikos, de uniforme verde, “inimigo” do Olympiakos, cujo uniforme é idêntico ao do Democrata, cuja camisa eu estava usando.
Além de esclarecer a situação para todos, Denis disse que também era torcedor fervoroso do Panathinaikos, e tinha acabado de me convencer a adotar o time verde como o meu preferido na Grécia. Além de dizer que eu era jornalista brasileiro, que tinha acabado de chegar para cobrir os Jogos Olímpicos.

Ufa!
Depois do almoço, Denis Spyridion Anastassatos estava ansioso para retomar a estrada para chegarmos ao centro da cidade. De volta ao carro, começou a gargalhar novamente e disse:
__ Morri de medo de alguém ali me reconhecer, pois detesto o time deles. Meu amor pelo Democrata foi à primeira vista, exatamente porque a camisa é igual à do Olympiakos!
Estes dois times têm uma das maiores rivalidades do mundo, com muita violência dentro e fora de campo, inclusive longe dos estádios, toda vez que se enfrentam, no chamado “Derby dos Inimigos Eternos”.

Despedida ridícula
E a seleção brasileira, hein!? Que oba-oba danado! Fez lembrar os anos 1970, do “pra-frente” Brasil, só que agora com torcida uniformizada paga, amistoso contra adversário apto a tomar uma goleada, “influencers” muito bem remunerados pra encher a bola e etecetera e tal.
Na transmissão pela TV a volta do tom ufanista que tinha saído de moda, da “pátria de chuteiras”, “amor ao país”, “alegria do povo”!
E ainda esculacharam o Hino Nacional. Coitada da Alcione, colocada nessa roubada.
O cantor era o Belo? Aquele que já foi condenado por envolvimento com organização criminosa? Como diria o saudoso mestre jornalista Rogério Perez: “Um espanto!”
Uma boa aposta
O Atlético anunciou o zagueiro Leo Duarte, ex-Flamengo. É o famoso “negócio de ocasião”. Terminou o contrato dele com o clube turco İstanbul Başakşehir, estava livre, o Galo precisando, e deu acordo.
A origem dele é o Flamengo e sendo assim liguei para o amigo maior especialista (pra não dizer corneta) sobre atuais e ex-jogadores do clube carioca, professor Walmisson Régis de Almeida, que disse: “Fisicamente faz lembrar o Leo Pereira, mas só fisicamente, hehehe. Era um zagueiro promissor do Flamengo, que inclusive chegou a jogar no time campeão da Libertadores 2019, quando foi bem vendido para o Milan, por R$ 50 milhões, um bom valor na época. Não se deu bem lá, mas deu certo na Turquia, onde era ídolo nesse clube lá, até há pouco tempo”.
Baseado nessa fala, insuspeita, podemos dizer que vale a aposta do Galo. Um zagueiro de 29 anos, experiente, com esse histórico pode ter sido uma boa. Se estiver inteiro fisicamente.
Só depois de alguns jogos para receber o carimbo de “reforço” ou apenas mais uma contratação.
Finalmente
Começou segunda-feira, a operação salvação no América, com novo técnico assumindo e a diretoria mostrando a cara em entrevista coletiva. Demorou, mas ainda há esperança na luta contra o rebaixamento para a Série C, que seria uma tragédia na vida do clube.
O técnico substituto do Roger Silva é o Umberto Louzer, que conhece o caminho das pedras das séries B e C, inclusive agradeceu convite do Cruzeiro em 2020, quando a Raposa vivia seu pior momento na história, tentando retornar à Série A.
Situação crítica
Finalmente a diretoria fez o que se esperava dela há pelo menos um mês: chamar a imprensa para dar explicações. A presença do coordenador do Grupo de Gestão, Marcus Salum, foi animadora, mas infelizmente ele não tinha como anunciar nenhuma contratação ou medida de peso, já que o clube está sem dinheiro e endividado.
Ele e o presidente do Conselho de Administração Marcio Vidal anunciaram mexidas no comando do futebol e manifestaram confiança no novo treinador. Aguardemos, e oremos!
O time é o lanterna absoluto do campeonato desde a primeira rodada, sem vencer nenhuma partida. Três pontos em 33 disputados, três empates e oito derrotas. Pior defesa, 22 gols sofridos, e pior ataque com apenas seis marcados.
E ao contrário da Série A, a B não para durante a Copa do Mundo e o Coelho volta a campo pela 12ª rodada, segunda-feira, que vem, contra o Atlético-GO, às 20 horas, no Independência.
Grande diferença
Artur Jorge é mais uma constatação da diferença entre os grandes treinadores e os meia-boca. Constatação também de que o Pedro Lourenço (que é novo como presidente/dono de um clube de futebol), aprendeu com os próprios erros ao demitir e contratar um comandante para o time.
Errou ao demitir Fernando Seabra, quando o Cruzeiro fazia boa campanha no Brasileiro, errou ao contratar e depois manter Fernando Diniz; foi ingênuo ao cair na lábia do Leonardo Jardim e perdoar a multa que ele teria que pagar ao romper o contrato, e finalmente acertou na busca desse outro português, que é muito bom de serviço. Além de acertar de novo, ao antecipar a renovação de contrato dele até 2030.
Da água ruim pro vinho
Artur Jorge pegou um grupo de ótimos jogadores, porém, um time destroçado pelo Tite, técnico desaposentado pelo próprio Cruzeiro, com péssimos resultados.
Na primeira entrevista, o português não quis fazer média com o colega de profissão (diferentemente dos treinadores brasileiros), abriu o jogo e disse que mudaria muita coisa, principalmente a forma de jogar, pois o elenco era composto de jogadores de alto nível.
Aí está: 10 vitórias, 5 empates e 3 derrotas em 18 jogos. Bem na Libertadores, em ascensão no Brasileiro e nas oitavas da Copa do Brasil. Classificado em segundo no grupo D, já que o Universidad Católica eliminou o Boca Juniors, 1 x 0, em plena La Bombonera.
Ecos do Passado
A cantora Alcione foi vítima da esculhambação do jogo de despedida da seleção brasileira da torcida, na goleada sobre o Panamá, no Maracanã. A puseram pra cantar o Hino Nacional, com o pagodeiro Belo, que complicou tudo.
A caminho da minha primeira cobertura de Copa do Mundo, em 1986, tive o prazer de viajar no mesmo voo que ela, da companhia aérea colombiana Avianca. Ela faria shows em vários países do Caribe e também no México. Simpatia de pessoa, bateu papo, bebeu e cantou durante todo o voo, de Bogotá à Cidade do México.

À direita dela, os saudosos Vilibaldo Alves (narrador) e o comentarista Roberto Rocha, que era o nosso chefe de esportes na Rádio Inconfidência.






