por Filipe Felizardo

Sete Lagoas vêm ganhando destaque no cenário da indústria de defesa mundial com a produção de veículos blindados para o Exército Brasileiro, no já bem-sucedido Projeto Guarani. A produção está a cargo da IDV, a antiga IVECO Defense Vehicles, que foi separada da empresa-mãe e incorporada pela Leonardo, gigante do setor pertencente ao governo italiano.
No último mês, a fábrica da cidade entregou o primeiro blindado do ‘spin-off’ da marca, o Guaicurus. Serão produzidos 420 veículos leves de combate e multitarefas, incluindo patrulha, guerra eletrônica e ambulância. Até o fim de 2026 serão entregues mais 14 destes blindados ao Exército, em um contrato total de R$ 1,4 bilhão.
Para além do Guaicurus, a IDV também continua a produzir o Guarani, projeto que completou 20 anos em 2025 e soma mais de 750 blindados já fabricados em Sete Lagoas. Nos últimos três anos, os investimentos das forças armadas no veículo somam R$ 1,12 bilhão e faz parte da renovação da frota militar brasileira frente a “ameaças contemporâneas e futuras”. Inclusive, Guarani já foi utilizado pelo Exército na crise do Essequibo, entre Venezuela e Guiana, em 2023.

Confira a exclusiva da IDV ao SETE DIAS:
SETE DIAS – Como se dá essa nova fase da empresa, agora pertencente a Leonardo. O que mudou e o que haverá de novo para a planta da cidade?
IDV – A IDV passa a integrar uma empresa de alcance global, especificamente na área de defesa. A Fusão é um marco importante na trajetória de crescimento da Leonardo como uma das líderes no setor de defesa.
De forma imediata não há nenhuma mudança estrutural, mas como parte integrante da Leonardo, as plantas da IDV no Brasil se tornam estratégicas para futuros projetos que incluam a produção local.
Para a IDV, a integração cria uma capacidade industrial ainda mais abrangente na produção de veículos de defesa. Em termos práticos, a Leonardo amplia seu protagonismo de fornecer tecnologias e soluções modernas, integrando componentes de veículos e sistemas eletrônicos únicos dentro de arquiteturas digitais avançadas e interconectadas.
SETE DIAS – Sobre o projeto Guarani e Guaicurus, quantos funcionários trabalham nos projetos?
IDV – Empregamos em torno de 300 funcionários diretos, além de gerarmos mais de 1.400 empregos indiretos. A operação no Brasil é a principal IDV fora da Itália em termos de produção, desenvolvimento e complexidade. Temos uma estrutura completa com a capacidade de desenvolver e produzir produtos de defesa no país.
SETE DIAS – Como é a fabricação destes blindados e o tempo médio de produção de uma unidade?
IDV – Construímos uma presença forte e bem consolidada no Brasil, tanto em termos de emprego quanto de capacidade industrial. Com cerca de 300 funcionários diretos e mais de 1.400 empregos indiretos, nossa operação brasileira desempenha um papel importante na presença internacional da IDV e fornece uma base sólida para oportunidades futuras no país. O prazo médio de produção de uma viatura blindada é de quatro a seis meses.

SETE DIAS – Existe possibilidade do Exército Brasileiro firmar novos acordos com a IDV?
IDV – A Leonardo, por meio do Consórcio CIO (IDV – OTO Melara), assinou um contrato inicial de produção em série com o Exército Brasileiro, no âmbito do Programa Estratégico Forças Blindadas, para o projeto da Viatura Blindada de Combate de Cavalaria Média sobre Rodas (VBC Cav – MSR 8×8). O contrato prevê a entrega de sete viaturas Centauro II 8×8 e representa o primeiro lote de produção em série de um programa global de 98 viaturas, a serem entregues em lotes anuais. O acordo foi assinado após a conclusão bem-sucedida dos testes operacionais e o recebimento das duas viaturas que compunham o lote inicial de avaliação.
A sinergia entre os produtos da Leonardo e as plataformas da IDV prevê oferecer ao Exército Brasileiro variantes C-UAS de plataformas atualmente em serviço, como o Guarani e o Guaicurus, por meio da integração de sensores de radar e sistemas de armas HITROLE 30×113 e HITFIST Uncrewed Light (UL) 30×173, capazes de utilizar munição com espoleta de proximidade desenvolvida especificamente para maximizar a eficácia contra drones.
Números gerais
dos projetos
O contrato do Guarani 6×6 com o Exército Brasileiro (EB) foi assinado em 2016, com duração de 20 anos. Já entregamos mais de 800 unidades na versão VBTP. Nós tínhamos uma produção regular de 60 veículos por ano e agora, com a entrada das viaturas especiais, esse mix e volume de produtos deve ser alterado nos próximos anos, com fornecimento previsto até 2036.
Para o Guaicurus 4×4, inauguramos em março uma nova linha de produção dedicada, com previsão de entrega de 420 veículos ao EB. No escopo do Programa Estratégico do Exército Forças Blindadas, os veículos serão entregues à Força Terrestre nos próximos dez anos. No dia 09 de setembro deste ano, entregamos ao EB a primeira unidade do Guaicurus produzido em Sete Lagoas em uma cerimônia com a participação de Oficiais Generais do Exército Brasileiro.





