Editorial – Os tempos são outros

Volta e meia leitores e parceiros do Sete Dias nos questionam porque não citamos os nomes de suspeitos e criminosos das ações policiais na cidade. O fato é relatado, mas sem grandes detalhes, tanto no jornal impresso quanto no site e redes sociais.

Na semana passada uma conhecida farmácia foi fechada por suspeita de comercializar produtos de roubos de cargas no estado. Esta semana foi a vez de um comércio de bairro, alvo das forças de segurança acusado de venda de munições para armas de fogo, com envolvimento de homem ligado à facção Comando Vermelho que está preso em Juiz de Fora, na Zona da Mata.

A cidade cresce e se torna vitrine para a operação de todo tipo de marginalidade. Menos mal que temos forças policiais altamente capacitadas, que trabalham com informações e sintonia entre si. Além da Polícia Civil, Sete Lagoas tem o privilégio de sediar 19ª Região Integrada de Segurança Pública (RISP) e já tinha o 25º BPM, com tradição de grandes serviços prestados à cidade e às vizinhas.

Nessas ações de enfrentamento à criminalidade mais pesada, que luta contra o crime organizado, a participação da Polícia Federal tem sido de fundamental importância para toda a região.

Muitas vezes a população não toma conhecimento da maioria das operações conjuntas dos órgãos de segurança, porque a imprensa também enfrenta tentativas de intimidação. Como a própria definição fala por si, os criminosos organizados têm os seus métodos e agem nas mais amplas frentes.

Não são raros os telefonemas e mensagens ameaçadoras às redações e profissionais da comunicação, tipo: “se divulgar, vou processar…”, “se não tirar do ar, vocês vão se dar mal…”, “se não pararem com este assunto…” e por aí vai.

É comum a imprensa ter que responder ações por danos morais, sem ao menos ter divulgado o nome de quem foi preso, do estabelecimento ou localização. Na maioria dos casos, o Ministério Público e a Justiça não embarcam nessa forma de intimidação da mídia, mas também há casos de penalizações decorrentes dessa estratégia organizada. E o simples fato de ter que se defender judicialmente, envolve custos e demanda de tempo.

A polícia também costuma ser acionada judicialmente, mesmo com provas robustas do motivo das detenções e outras ações.  

Sete Lagoas não é mais aquela da malandragem clássica, dos ladrões de galinha, malandros ‘Coca-Cola’ e pés de chinelo. Com 237 mil habitantes, mais as cidades vizinhas, estamos perto de 700 mil pessoas, na região central de Minas, com acessos e saídas para todo o país.

Somos gratos (e parceiros) às forças de segurança, a quem parabenizamos.