Coluna Espírita – Coerência

Muito embora a temeridade não seja, em tempo algum, algo recomendável, a covardia, da mesma forma, traz muitos prejuízos ao progresso espiritual.

A coragem, temperada com amor e bom senso, constitui padrão evangélico. Jesus demonstrou coragem desconcertante ante os poderosos, mas nunca poderia ser tomado à conta de imprudente.

O desassombro do Senhor é marcante naquela passagem em que ele, manietado e cercado de guardas truculentos, é posto diante do sumo sacerdote Caifás, que o indaga acerca de sua doutrina, e ele responde: “Eu tenho falado abertamente ao mundo; eu sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se congregam, e nada falei em oculto. Por que me perguntas a mim? pergunta aos que me ouviram o que é que lhes falei; eis que eles sabem o que eu disse”. Imediatamente, um dos guardas desferiu contra o Mestre uma vil bofetada.

Na passagem acima, Jesus exemplifica o ensinamento em que afirmou: “E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.”

No “Sermão dos Sete Ais”, proferido por Jesus, tem-se a impressão de uma peça cruel e contundente contra os fariseus:

“Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque fechais aos homens o reino dos céus; pois nem vós entrais, nem aos que entrariam permitis entrar.

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque devorais as casas das viúvas e sob pretexto fazeis longas orações; por isso recebereis maior condenação.

(…) Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque limpais o exterior do copo e do prato, mas por dentro estão cheios de rapina e de intemperança.”

Na verdade, Jesus não estava condenando aquelas pessoas, mas as suas atitudes; ele condena o pecado, não o pecador.

Em suma, a postura de Jesus está calcada na coerência.

Se nos pautarmos sempre pela coerência, mesmo que o mundo nos condene, estaremos serenos e até felizes, porque a consciência nos aprova e a Lei Divina nos ampara.