CHICO MAIA – Lembrando do Túlio Maravilha

Em setembro de 2021, o ex-atacante Túlio Maravilha recebeu uma camisa do nosso Democrata, antes de um jogo contra o Botafogo, na Arena do Jacaré, pela Copa do Brasil Master. Um gesto de simpatia a ele, como o clube faz a todos que se destacam ou se destacaram no futebol, e que passam pela Arena.

Lamentavelmente, Túlio não deu a menor bola pra homenagem e depois do jogo, quando todo mundo tinha ido embora, a camisa foi encontrada no chão do vestiário, pisoteada, suja.

O Democrata usou as suas redes sociais para dar o troco nele, e o assunto repercutiu nacionalmente. O jornal O Lance, do dia 3 de outubro de 2021, destacou: “Clube chama Túlio de ‘otário’ e posta presente recebido por ele jogado no chão; ídolo do Botafogo se defende”. O ídolo do Botafogo Túlio Maravilha foi ofendido pelo perfil no Twitter do clube Democratas da cidade de Sete Lagoas, em Minas Gerais, que acusou o jogador do time Master do Glorioso de receber uma camisa do clube e largar o presente no vestiário, que apareceu jogado no chão, aparentemente pisoteado. Os clubes se enfrentaram pela Copa do Brasil da categoria.

– Queremos agradecer ao Túlio Maravilha pelo recíproco respeito ao jogar hoje na Arena do Jacaré pela Copa do Brasil Master. Ganhou uma camisa de nosso vice-presidente e fez isso. Valeu, otário! Não posso falar o que quero aqui, mas @#%&… #TulioOtario – postou o perfil, usando caracteres para substituir palavrões que o perfil gostaria de ter escrito, mas não o fez.

Após a repercussão do caso, Tulio postou uma mensagem no Instagram para se explicar. – Eu esqueci a camisa no vestiário e alguém jogou-a no chão. Nunca desrespeitei alguém ou uma instituição. Não é o meu perfil – disse ele, que depois voltou a falar sobre o assuntos nos stories…”

Na FENEX em 2024, Pedro Bassan entre Renato Paiva (esq.) e o Thiago, filho do Denilson Paiva.

 Pedro Bassan

Em 2024, o repórter Pedro Bassan, um dos jornalistas mais respeitados do país, correspondente da Globo, em Portugal, China e atualmente no jornalismo nacional da emissora, esteve na FENEX – Feira de Negócios de Sete Lagoas, realizada até então, no estacionamento da Arena do Jacaré. Foi a passeio, já que é amigo de longa data do Denilson Paiva, primo do presidente do Democrata, Renato Paiva. Ficaram amigos nos tempos em que moravam em Portugal.

Simpatia em pessoa, gentil com todos que o abordavam nos dias em que ficou com a família em Sete Lagoas, Bassan, foi presenteado com uma camisa do Democrata durante a FENEX.

Me encontrei com ele no Met Life Stadium, antes de Brasil 1 x 2 Noruega dois e, claro, não perdi a oportunidade de entrevista-lo, e perguntar se ele ainda tem a camisa do Jacaré. Bassan abriu um largo sorriso, disse que não só tem, mas que é a mais bonita que ele tem, entre as várias que possui, e que a usa de vez em quando. Aproveitou para agradecer novamente ao Democrata e a Sete Lagoas pelo carinho com ele e família. E ainda fez questão de mandar um abraço para o Denílson Paiva.

Contei a ele o episódio com o Túlio Maravilha e a diferença de tratamento. A entrevista está no www.7dias.com.br e em meu twitter e instagram @chicomaiablog

Andando por Sete Lagoas, Bassan com o Denilson Paiva (direita) e o Júlio Feijão, uma das figuras mais carismáticas da cidade.

Gostando da Copa

Pedro Bassan já cobriu oito olimpíadas e está em sua oitava cobertura de Copa do Mundo. Formado em Direito e Jornalismo, nasceu em Tupã/SP (520 Km da Capital). Em São Paulo, começou na Rádio Record em 1991, em oportunidade dada pelo conterrâneo de Tupã, Osvaldo Maciel. Bom demais de serviço, chamou a atenção de outras emissoras, passando pela Jovem Pan, ESPN e Rádio Bandeirantes, até receber convite da Globo, que o inseriu na “prateleira de cima” de sua equipe, cobrindo Fórmula 1 e correspondente internacional.

Está gostando dessa Copa do Mundo, da organização e principalmente da qualidade das partidas. E achava que o Brasil poderia ter chegado mais longe.

Há 10 anos, Pedro Bassan esteve em Sete Lagoas pela primeira vez, para prestigiar as comemorações dos 50 anos do Denilson, na foto com a esposa Frida, no Jardim Real recepções. O garoto na foto é o Antônio Bassan, filho dele.   

Decadência anunciada

Antes o Brasil brigava pelos títulos; passou a cair nas quartas e agora cai nas oitavas. Com tendência a piorar. Lamento pelos brasileiros que adoram a oportunidade de toda Copa do Mundo, para se confraternizar e se divertir, mas a eliminação da seleção foi justa, por “méritos próprios”. Fica a esperança que tenha sido um ponto final dessa turma perdedora, sem bola, ou idade avançada, ou enganação, de quatro Copas pra cá, tipo Casemiro, Marquinhos, Danilo, Alisson, Neymar, Marquinhos, Fabinho, Alex Sandro e cia. Mas, nunca se sabe. Muito lobby e muitos interesses inconfessáveis.

E por mais que filósofos e filósofas da bola busquem razões para mais uma frustração na luta pelo título, o motivo é um só: o futebol brasileiro não é comandado por gente do futebol. Na prateleira de cima de quem manda não há nenhum dirigente ou ex-dirigente de clube. A CBF e a quase totalidade das federações são comandadas por políticos, empresários e oportunistas de toda ordem, que se apossaram do meio há décadas.

Querem é se locupletar

Essa cartolagem não está nem aí para o futebol. Quer é se dar bem, se esbaldar nos milhões e mordomias que o mundo da bola proporciona cada dia mais. A formação de jogadores pelos clubes, e a atenção às seleções das categorias de base e da permanente renovação da própria seleção principal não estão nas prioridades deles.

É raro um ano em que os noticiários não estejam cheios de manchetes falando de escândalos financeiros, corrupção e outras mazelas das nossas entidades maiores do futebol e sua cartolagem.

Agora mesmo, na Copa, o jovem e recém empossado presidente da CBF virou pauta por estar com esposa e amante presentes, com tudo pago pela entidade.

Bagunça

Depois da Copa do Catar 2022, três treinadores passaram pela seleção, até a chegada do italiano Ancelotti: Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Junior. Enquanto isso, o técnico da Noruega, que eliminou o Brasil, está no cargo desde 2020. Didier Deschamps comanda a França há 14 anos. Ancelotti comandou a seleção até hoje em 16 partidas.

Enfim, com uma zona dessas não pode dar certo.  Com tendência a piorar.

Outra realidade, que a maioria das pessoas não quer enxergar é que o Brasil não produz mais tantos bons jogadores e craques como antes. E quando produz, eles saem cada vez mais jovens do país. Aí, vem a forçação de barra dos grandes veículos de comunicação e muitos empresários do futebol, tentando inventar ídolos, para manter a roda girando. Na hora do “vamos ver”, dá no que deu contra a Noruega.  

Dessa turma que esteve nesta Copa, para mim, têm futuro na seleção: Wesley, 22 anos; Endrick e Rayan, 19; Luiz Henrique, 25; Vini Jr., 25 e Martinelli, 24 anos.

Hot dog servido nos estádios da Copa: mais caro e possivelmente mais fraco do mundo: 12 dólares (R$ 62) , no estádio NewYork/NewJersey, antes de Noruega 2 x 1 Brasil.

“Era” que não deu certo.

Carlo Ancelotti é uma simpatia de pessoa, que trata a todos com muita simplicidade e gentileza, contrariando a fisionomia sisuda. Desejo sucesso a ele nessa nova missão de montar um time vencedor para as próximas competições, a Copa de 2030 especialmente. O publicitário Rômulo Righi, sempre muito atento ao futebol, escreveu e concordo: “E esse longo ciclo em que tivemos o Neymar como figura central, esse projeto de criar um novo ídolo no nível de R9, Romário e outros lendários protagonistas brasileiros? Tem uns 12 anos que a seleção serve apenas para colocar o Neymar no Olimpo, no panteão dos grandes vencedores. Mas, no fim, foi tragédia atrás de tragédia… Uma era de protagonismo individual máximo e realização coletiva insuficiente.

Em termos simbólicos, a era do craque-herdeiro: depois de Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Kaká e a geração campeã de 2002, Neymar assumiu quase sozinho o lugar de referência técnica, afetiva e midiática da Seleção. Ele não foi apenas mais um grande jogador; foi o eixo em torno do qual a Seleção tentou reconstruir sua identidade global. A era do craque absoluto em uma Seleção sem projeto absoluto.

Podemos sonhar que esse capítulo acabou?

Pelo amor de deus!!!”

ECOS DO PASSADO

Na Copa de 1994, também nos Estados Unidos, eu com o Marcelo Madureira e a produtora do programa em que ele era um dos protagonistas, o Casseta & Planeta, maior sucesso do humor da TV brasileira naquela época. Durante um treino da seleção, em Santa Clara, perto de São Francisco. Foi a primeira Copa do SETE DIAS, que foi criado em 1991. Era a minha terceira. As de 1990 e 1986, a minha coluna era no Boca do Povo, do Paredão.