Colunista Convidada – A evolução do amor

por Élida Gontijo
Escritora

Onde está escrito que o amor tem idade? Desconheço a idade do amor. Surge a partir do ventre e nunca mais deixamos de amar. O primeiro amor é entre filho e mãe ou vice- versa, só a mulher é capaz de explicar a magia de amar um ser que cresce dentro dela, dia a dia. A partir do nascimento o amor vai sendo entendido por choro que pode significar dor, fome, até que este sentimento vire palavra.

O amor cresce junto com a criança, multiplica em amor por pai, tios , avós, primos ,  etc. Num piscar de olhos ele é encontrado fora de casa, por outro ser que muitas vezes desempenha diversos papéis, vem o amor da professora. Ali naquele espaço cheio de cores, brinquedos, o amor se configura em palavras, sonhos, fantasias, um mundo pela frente a ser descoberto.

Mais um lance de escada da vida e vem o primeiro amor pelo sexo oposto, apaixona-se pelo olhar, um gostar platônico, dividido entre o querer e a timidez. Como é difícil falar daquilo que o coração está cheio! Quanto sofrimento tem o amor adolescente,  ser rejeitado por quem se ama, se achar um Patinho Feio. Vamos crescendo e o amor vai amadurecendo junto com a gente.

Chega o amor de querer constituir uma vida a dois, dividir o mesmo espaço, construir uma família. E a roda da vida gira, gira, levando o amor que volta ao ponto inicial, a mulher gerando dentro dela o primeiro amor do seu ventre.

Quantos mistérios há no amor e em amar! Acreditamos em contos de fadas , que será para sempre. Mesmo sabendo que sempre é muita coisa, pena que diversas interferências atrapalham os contos de fadas para serem reais. Aí chega a solidão ou solitude, o amor é quebrado, dividido em coisas materiais, emocionais. Quanta dor! O amor sangra, não foi feito para doer, fragmentar.

Ah mas existe o amor maduro, um amor leve, sem tantas cobranças com uma liberdade conquistada por toda uma vida. Os interesses são outros, a busca é por uma forma de amor mais empática! O amor deixa o passado para trás e vive o hoje, cada dia é um novo buscar, é aproveitar para andar pelo jardim que plantou, é colher o fruto maduro e saborear a dois a beleza da vida.

Élida Gontijo- julho de 2026.