Sete Lagoas já vive a Copa: comércio aposta nas vendas e bairros resgatam antigas tradições

Celso Martinelli

A cada quatro anos, o relógio parece marcar um tempo diferente. As ruas ganham as cores verde e amarelo, as vitrines se enfeitam, os amigos organizam encontros e o comércio se prepara para um dos períodos de maior movimentação do calendário. Muito além das quatro linhas, a Copa do Mundo representa uma oportunidade para aquecer a economia e fortalecer a convivência entre famílias e comunidades.

A expectativa do setor lojista é bastante positiva. Segundo informações da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), 66,4% dos segmentos avaliados no Estado indicaram que terão reflexos positivos durante a competição.

Ainda, a pesquisa apontou que mais da metade dos comerciantes (54,6%) espera crescimento nas vendas de até 20% no período da Copa do Mundo. Em geral, as boas expectativas estão nos segmentos voltados ao abastecimento e ao vestuário. Supermercados, hipermercados e lojas de produtos alimentícios respondem por 37,9% das intenções, seguidos de perto pelo ramo de tecidos, vestuário e calçados, com 36,2%.

Outro ponto abordado pelo levantamento foi a expectativa dos lojistas em relação aos valores que serão gastos pelos consumidores. Segundo os dados, 58,8% das empresas beneficiadas pelo clima esportivo esperam que os investimentos dos clientes estejam entre R$ 50,01 e R$ 200,00. No entanto, um cálculo global apurado pela Fecomércio, estabelece que o tíquete médio geral será de aproximadamente R$ 369,00, devido ao peso de itens de maior valor agregado.

A pesquisa mostra ainda que 66% das pessoas planejam assistir às partidas em casa, movimentando supermercados, açougues e distribuidoras de bebidas. Outros 26,6% pretendem acompanhar os jogos em bares e restaurantes, fortalecendo o setor de alimentação fora do lar.

Para o presidente da CDL Sete Lagoas, Geraldir Alves, o momento já pode ser percebido nas ruas da cidade “Expectativas ótimas, várias lojas já estão em clima de Copa, e o espírito da competição já toma conta de várias lojas, várias vitrines e mercadorias temáticas expostas”, celebrou.

No setor gastronômico, cada empresário aposta em uma estratégia própria para aproveitar o período. Na Churrascaria Três Marias, o empresário José Afonso, o Popó, decidiu não ampliar a estrutura de televisores, como ocorreu em outras edições do mundial. A aposta é oferecer um ambiente mais tranquilo para famílias e grupos de amigos.

“Este ano, eu vou passar os jogos em apenas uma TV. Pela minha experiência de outras Copas, não vou investir em números de televisores. Meu foco está sendo mais para famílias que queiram jantar e ou petiscar, tomando cerveja ou um bom vinho.”

Já para o produtor de eventos Denilson Lanza, a Copa representa uma oportunidade de multiplicar atrações e reunir diferentes públicos pela cidade. “Estou envolvido em três transmissões diferentes e simultâneas, em diferentes bairros da cidade. Uma será no Parque de Exposições JK, durante a Expô Sete Lagoas Mangalarga Marchador, com show de Bruninho e Alan. Também teremos telão na Nero Espeteria e Botequim, com antes e pós-jogo, show de Victor Fonseca e Samboleiros, a partir das 16h. E, por fim, haverá uma estrutura no bairro Jardim da Serra, próximo ao Shopping Sete Lagoas, com transmissão da partida seguida de apresentações do DJ Victor Talma e da cantora Josi Lopes.”

PRUDENTE DE MORAIS NO CLIMA

Na vizinha Prudente de Morais, a Prefeitura preparou uma programação especial para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira. A área de festas da Capela de São Cristóvão será transformada em uma grande arquibancada, com entrada gratuita, transmissão das partidas e shows musicais.

Programação

  • 13 de junho (sábado) – DJ Scoob; Brasil x Marrocos – 19h30. Show às 21h30 com Grupo Sintonize
  • 19 de junho (sexta-feira) – DJ Scoob; Show às 19h30 com Maike D’Mattos.  Brasil x Haiti – 21h30
  • 24 de junho (quarta-feira) – DJ Scoob; Show às 19h30 com Banda Tributos Axé Retrô. Brasil x Escócia – 21h30

Copa na Quebrada resgata memórias da infância brasileira

Projeto pretende devolver às ruas de Sete Lagoas o clima das antigas Copas do Mundo, com vias decoradas, confraternização entre vizinhos e transmissão dos jogos em telão

Por Celso Martinelli

Além do impacto econômico, a Copa volta a despertar um sentimento coletivo que marcou gerações: ruas decoradas, bandeirinhas, churrascos, vizinhos reunidos e crianças vivendo a expectativa de ver o Brasil em campo.

Mais do que reunir pessoas para assistir a uma partida de futebol, o projeto Copa na Quebrada nasce com a proposta de resgatar uma tradição que marcou gerações de brasileiros: transformar as ruas em pontos de encontro, convivência e celebração durante a Copa do Mundo.

Idealizado pelo produtor de eventos esportivos Arlen Júnior, da X1-7 TV, o movimento terá sua primeira edição na R. Pedro Gomes da Silva – bairro Orozimbo Macedo (contra o Marrocos), com entrada gratuita, transmissão dos jogos do Brasil em um grande telão e um ambiente pensado para receber famílias, amigos e vizinhos. A transmissão dos outros dois jogos (Haiti e Escócia) serão em ruas dos bairros Nossa Senhora do Carmo e Emília.

A proposta, porém, vai além da exibição das partidas. A ideia é recriar o cenário que sempre fez parte da memória afetiva das comunidades: ruas enfeitadas com bandeirinhas, cadeiras nas calçadas, crianças brincando, churrasco, conversa entre amigos e a torcida unida pela Seleção Brasileira.

Segundo Arlen Júnior, o projeto não pretende realizar eventos em todos os bairros da cidade, mas servir de inspiração para que esse espírito comunitário volte a fazer parte da cultura local. “A Copa na Quebrada nasceu para resgatar um sentimento que muita gente sente falta. Nosso objetivo nunca foi ganhar dinheiro. O objetivo é reunir pessoas, fortalecer a comunidade e criar memórias que fiquem para sempre. Queremos que cada bairro volte a viver o verdadeiro clima de Copa do Mundo, com famílias nas ruas, amigos reunidos e crianças participando dessa festa que sempre fez parte da nossa história.”

O organizador destaca ainda que o primeiro evento representa apenas o início de um movimento.

“Não teremos estrutura para realizar eventos em toda a cidade, mas queremos mostrar que é possível devolver esse clima de união às comunidades. A Copa sempre foi muito mais do que futebol. Ela é sobre pertencimento, amizade e momentos compartilhados. Se conseguirmos inspirar outras pessoas a fazer o mesmo em seus bairros, já teremos alcançado nosso objetivo.”

Com ambiente familiar, entrada gratuita e incentivo à participação popular, o Copa na Quebrada aposta na força das relações comunitárias para transformar uma simples transmissão esportiva em uma experiência coletiva.

Empresas podem apoiar o projeto

Para ampliar essa iniciativa e oferecer uma experiência ainda mais completa ao público, o projeto está buscando empresas parceiras. A proposta é que marcas locais participem de um movimento que valoriza a convivência comunitária, o ambiente familiar e uma das tradições mais marcantes da cultura brasileira.

As empresas apoiadoras poderão ter suas marcas exibidas durante as transmissões dos jogos do Brasil no telão da Copa na Quebrada, associando sua imagem a um projeto de integração social e fortalecimento da comunidade. Interessados podem entrar em contato pelos canais: WhatsApp (31) 97100-2728 ou no Instagram (Direct): @x17tv_.

No Garimpo, mobilização garante ruas enfeitadas

Muito antes de qualquer projeto organizado, o espírito da Copa do Mundo já voltou a tomar conta da Rua Joaquim Coura, no bairro Santa Luzia, carinhosamente conhecido pelos moradores como Garimpo. Ali, a decoração nasceu da união da comunidade e da vontade de reviver as lembranças da infância.

Com uma vaquinha entre os vizinhos, sobras de tinta doadas por moradores e muita disposição para colocar a mão na massa, cerca de 20 pessoas participaram da iniciativa que transformou a rua em um cenário típico das antigas Copas, com pinturas e decoração verde e amarela.

Segundo a moradora Ana Santos, uma das responsáveis pelo trabalho ao lado dos amigos Marilda e João, o projeto representa uma tradição passada de geração em geração. “Nesta rua moram famílias antigas e carregamos essas tradições de geração em geração, resgatando e relembrando a nossa infância. Fizemos uma vaquinha, alguns vizinhos colaboraram com sobras de tinta e outros com mão de obra. Foi uma grande alegria fazer parte desse projeto”, conta.

O resultado acabou ultrapassando os limites da própria rua. A mobilização despertou o interesse de outras comunidades de Sete Lagoas e reforçou a ideia de promover transmissões coletivas dos jogos em telões, reunindo famílias e vizinhos para torcer pelo Brasil.

“Esse projeto movimentou e inspirou outras ruas do município. Esperamos conseguir mais colaborações para tornar possível essa grande confraternização e fazer a cidade viver novamente o clima das Copas que marcou tantas gerações, finalizou Ana.