Nas últimas horas, o nome da União Colegial de Sete Lagoas voltou a circular na cidade após um grupo de manifestantes ocuparem um imóvel na Rua Floriano Peixoto onde funciona um escritório da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP). O presidente da organização é Jorge Periquito, político com histórico nos movimentos estudantis e ex-assessor do senador Rodrigo Pacheco (PSD).

Em entrevista ao SETE DIAS, o líder da entidade afirma que a propriedade do imóvel é da União Colegial e que cederam o local em meados de 2010 para uma pessoa de nome Luiz que se identificou como ‘vicentino’, com o argumento que precisavam de um espaço para abrigar cestas básicas: “Como o objetivo da União [Colegial] sempre foi apoiar os movimentos sociais da cidade, cedemos ao senhor Luiz o prédio, para evitar que o relato dele [de que o local virasse ponto para consumo de drogas] de fato acontecesse. Durante anos o senhor Luiz usou o prédio com esse objetivo e além disso, como era de praxe, nós emprestávamos o segundo andar para entidades sociais fazerem reuniões”, comenta Jorge.
A situação teria mudado após o falecimento desta pessoa e a vinda de uma nova diretoria na SSVP. Jorge Periquito afirma que titularidades de serviços como energia elétrica e telefone foram trocadas de “nítida má-fé planejada”: “Quando tomamos conhecimento que os movimentos sociais passaram a serem proibidos de usar o prédio, entre o fim 2023 e início de 2024, nós notificamos os Vicentinos para que devolvessem o imóvel. Foi quando fomos surpreendidos com uma ação de usucapião, que nós recebemos com uma tamanha indignação: como uma entidade social que era parceira de outra, monta toda uma estrutura, minuciosamente pensada, para usar como prova de uma ação para tomar um prédio dos estudantes de Sete Lagoas?”, diz.
O presidente da associação acusa a SSVP de “criar uma situação” para obter favorecimento no processo em que se pede a usucapião do imóvel. Periquito não sabia da ação dos manifestantes e que veio à Sete Lagoas na noite de sábado (4) para inteirar da situação; ele relatou que pediu à Polícia Militar para religar a energia elétrica no espaço e que levou comida aos manifestantes. Por fim, o líder da União Colegial relata que existe uma dívida de mais de R$ 70 mil de IPTU e que a organização buscará na Justiça o direito pelo bem.
O outro lado
O SETE DIAS consultou as lideranças do Conselho Central Santa Paulina que classificou todas as declarações de Jorge Periquito como “mentirosas”. A entidade afirma que não existe nenhuma dívida de IPTU e que todas as contas do imóvel estão pagas. Sobre o empréstimo do imóvel, o Conselho disse que não houve nenhum líder com nome de Luiz durante o período informado. Em nota divulgada na manhã de domingo (5), a organização disse que está desde 2004 no local e que, durante todo este tempo, não foi procurado por pessoas da União Colegial sobre a situação.
Quem é Jorge Periquito
Jorge Periquito começou na política como líder estudantil na capital em meados nos anos 1990, participando da fundação de duas organizações ligadas à área. Já foi candidato em eleições à prefeitura de Belo Horizonte no ano de 2008 e a deputado federal em duas oportunidades. Advogado de formação, foi assessor do senador Rodrigo Pacheco (PSD) até o ano de 2023, onde assumiu cargo na CBF como diretor de relações institucionais na presidência de Ednaldo Rodrigues.
Atualmente, Periquito tem atuação política em Contagem, sendo cogitado como candidato a vice-prefeito às eleições de 2024 na chapa de Marília Campos (PT), que hoje tenta vaga no Senado.




