
“A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a ação providencial.”
A afirmação acima é de Allan Kardec. A partir dela, ele tece uma linha de raciocínios explicando como opera a Providência Divina.
Kardec pede ao leitor que conceba a existência de um fluido, de uma energia que preencha toda a Criação, fluindo do Criador e a ele retornando incessantemente. Esse fluido, como disse mais tarde André Luiz, seria “o plasma divino”, o “hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio”.
“Plasma”, porque conduz nutrientes indispensáveis à vida universal; “hausto”, porque emana do próprio Criador como hálito divino; e, “força nervosa”, porque ele forma uma perfeita rede de comunicação.
Tudo repercute nesse fluido cósmico, desde a folha que da árvore cai aos nossos mais recônditos pensamentos. Assim, instantaneamente, Deus sabe de tudo.
Dessa forma torna-se fácil e racional entender porque Deus é oniciente e onipresente. Resta saber como a sua Providência atua.
Afirmaram os mentores de Allan Kardec que “Deus não exerce ação direta sobre a matéria. Ele encontra agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos”.
Deus não atua diretamente sobre a Criação. Desde toda a eternidade ele criou leis perfeitas e, portanto, imutáveis que regem o funcionamento do Cosmos. Além dessas leis, Deus conta com a ação das próprias criaturas, ou seja, dos Espíritos que pululam por toda parte. Todos eles têm um papel significativo a desempenhar.
O filósofo Léon Denis completa o pensamento de Kardec, seu mestre, utilizando-se dessa belíssima expressão:
“A Providência é o espírito superior, é o anjo velando sobre o infortúnio, o consolador invisível, cujas inspirações reaquecem o coração gelado pelo desespero, cujos fluidos vivificantes sustentam o viajor prostrado pela fadiga; é o farol aceso no meio da noite, para a salvação dos que erram sobre o mar tempestuoso da vida. A Providência é, ainda, principalmente, o amor divino derramando-se a flux sobre suas criaturas.” (Depois da Morte, cap. 13)
Agora temos uma chave para compreender o sentido das sábias palavras do Apóstolo Paulo, quando afirmou: “porque nele (em Deus) vivemos, e nos movemos, e existimos (…).” (Atos, 17:28)





