
Quem viaja pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, que em grande parte de seu percurso percorre as margens do Rio Doce, o que vê dá tristeza. Exceto pelo lago formado pela barragem construída pela Vale e pela Cemig acima da cidade de Aimorés, e que chega até a cidade de Resplendor, o rio ficou reduzido a um fiozinho desmilinguido de água correndo entre pedras e bancos de areia, mas vivo. E o propalado Maior Desastre Ambiental provocado pelo rompimento de uma barragem em Minas Gerais, ocorrido no dia 5 de novembro de 2015, na região de Mariana?
Cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos escoaram pela Bacia do Rio Doce até encontrar o mar no Espírito Santo. Na época o assunto rendeu reportagens e mais reportagens, mas pouco se perguntou de quem era a responsabilidade pelo ocorrido, perguntas que ficaram sem respostas e o tempo se encarregou de fazer o assunto morrer. Aconteceu o acontecido. e a lama se espalhou pelo Rio Doce.
Mas, em um passado não muito distante, havia um ciclo: a partir do mês de outubro, dele as águas iam ficando barrentas, cor de chocolate. Nesses dias, a água captada diretamente do Rio era imprópria para o consumo humano, e sua turbidez às vezes era tanta que a Estação de Tratamento de Água de Colatina tinha dificuldade em realizar o serviço.
Entretanto, como o Mundo dá voltas e volta ao mesmo lugar, após abril as águas iam se tornando mais límpidas, a lama desaparecia deixando ver o fundo arenoso, de cor branca. Claro que no caso relatado houve um derrame muito grande e muito rápido de lama, mas nada que Rio não conseguisse corrigir. Os peixes morreram, sendo mostradas fotos. Mas passados alguns anos, já se tem notícia do aparecimento de cardumes, vindos de seus afluentes. Entretanto, mesmo antes desse desastre ambiental há algum tempo vinha sendo observada a diminuição da população de peixes. Tanto que se tem notícia de que, em Colatina, alguns amigos do Rio vinham jogando alevinos no seu leito. E por que o Ba-Fa-Fá? Porque nada como uma má notícia para alegria de uns poucos, para se poder vender jornal e dar audiência em rádios e TVs. O que se repete, infelizmente, a cada nova tragédia.





