Em pouco menos de 10 anos de formação, o Colégio Tiradentes da Polícia Militar (CTPM) de Sete Lagoas já virou referência do ensino na cidade – nas palavras do seu comandante, o Major Robson de Souza Silva, atinge grau de excelência aliando a gestão e o trabalho dos profissionais com a integração com a comunidade escolar. Para o SETE DIAS, ele destacou os avanços da instituição na formação dos alunos.

O major também abordou projetos e iniciativas voltadas para o fortalecimento da relação entre o CTPM e sociedade, como atividades culturais, esportivas e de conscientização – o objetivo é ampliar o alcance do colégio e contribuir para o desenvolvimento integral dos estudantes, reforçando valores como respeito, responsabilidade e comprometimento.
SETE DIAS – Major, como foi a implementação do CTPM em Sete Lagoas
Major Robson – Nossa escola está completando de fato 10 anos de uma experiência muito exitosa. Nós iniciamos aqui uma parceria Polícia Militar e Prefeitura Municipal em 2017 para a aquisição desse prédio, onde funcionava uma escola municipal de uma área periférica aqui do bairro CDI, com inúmeras vulnerabilidades sociais, a Escola Helena Rodrigues Branco. E com essa parceria com a nós absorvemos os alunos que aqui estavam, e aqueles que conseguiram caminhar com a nossa rede, que já tem 176 anos, permaneceram aqui.
Inicialmente nós começamos com o maior número de alunos não dependentes de militares e não tendo vínculo específico de dependência com os policiais militares. Mas gradativamente, foi aumentando o número de dependentes. Hoje, quase 40% do nosso efetivo são vagas sociais, são alunos que entraram para o sorteio. Estamos hoje com 800 alunos, aproximadamente, porque isso vai variando – tem aluno que é transferido porque o pai que é transferido de unidade. E nós já temos alunos que concluíram o ensino médio, que eram do Helena Rodrigues Branco e que hoje estão fazendo medicina na UFMG, na USP e até na Faculdade Atenas, com 100% de Bolsa Integral.
SETE DIAS – Conte-nos mais sobre a metodologia de ensino do CTPM.
Major Robson – Nós estamos subordinados à Diretoria de Educação Escolar (DEE) da Polícia Militar. Não temos vinculação com a Superintendência Regional de Ensino (SRE), a não ser nas questões de parceria e financeiras. E seguimos, é claro, parâmetros federais, com a Lei de Diretrizes Básicas, a Base Nacional Comum Curricular.
Mas a nossa escola não é uma escola típica, é uma escola atípica. Nós temos, por exemplo, uma carga horária bem maior que as escolas típicas. Por exemplo, no ensino médio, sobretudo no terceiro ano, é como se a gente tivesse um pré-vestibular integrado. Temos quase 50% de carga horária a mais e a proposta da DEE é estender para os demais anos.
Agora, o que preciso entender que o foco da nossa escola é a formação de um cidadão consciente, crítico e respeitoso. O foco da nossa escola é formação de homens e mulheres de bem. Nós primamos por valores. Não é escola rígida, não é escola de robô, não, os meninos são plenamente felizes.
Temos um ensino de qualidade, isso é fato. E, secundariamente, prepará-los para passar nas melhores universidades ou concursos. E, graças a Deus, com esse foco, nós temos tido resultados extraordinários.

SETE DIAS – E como os pais estão inseridos nesta comunidade?
Major Robson – Nós temos uma Associação de Pais e Mestres, porque a comunidade escolar aqui tem voz e tem vez. Aqui, no Colégio Tiradentes, a família necessita participar. Nós não vislumbramos a educação de qualidade sem a participação da família, não. A família precisa caminhar junto. É claro que nós temos aqui os profissionais capacitados para dar esse direcionamento, mas, sem a participação deles, nada disso é possível.
E a gente tem inúmeros projetos que nós vamos envolvendo a comunidade. Tanto a comunidade local como projetos internacionais, como nós temos o intercâmbio nos Estados Unidos, em que nós temos um processo seletivo interno aqui e nossos alunos ficam quatro meses com essa experiência extraordinária. E também na sociedade local.
Fazemos festas típicas, como a do dia 20 de junho – talvez seja a maior festa escolar da região, porque recebemos aqui mais de 10 mil pessoas em um período muito curto. Para esse ano, nós faremos uma feira de ciências – que eu costumo falar com os professores aqui, uma “Fenex Estudantil” -, com o tema de inteligência artificial aplicada nessa tecnologia à indústria. Nós vamos convidar os setores automobilísticos e outros mais para montarem estandes e os nossos alunos vão apresentar a tecnologia, e a empresa apresentar a tecnologia que eles utilizam. É para o mês de novembro ainda, mas aí já estou dando um spoiler do que vai acontecer.
Além disso, temos integração com outras escolas também: a Escola Técnica [Municipal de Sete Lagoas – ETMSL], por exemplo, é uma parceira. Então nós temos essa ligação não só com as instituições, mas com a população de um modo geral. E é isso que faz a escola ficar grande.
SETE DIAS – Major, acredito que muitas pessoas que não são ligadas às forças de segurança gostariam que seus filhos também integrassem o CTPM. Como funciona o ingresso?
Major Robson – Um edital é lançado pela DEE entre o final de outubro, novembro e isso é lei estadual. Então a prioridade um para ingresso, havendo vaga, é o dependente militar. E é dependente, não é indicação, não. É o filho legítimo de militar. A prioridade dois é o dependente funcionário civil estável da Polícia Militar. Prioridade três, os netos de militares. E a prioridade quatro, as demais pessoas.
Em todos esses processos, funciona por sorteio. Então o militar, o filho de militar, ele não tem a vaga dele aqui garantida, não. Existe uma perspectiva de ele conseguir a vaga: por exemplo, se nós tivermos cinco vagas para o segundo ano do Ensino Fundamental Anos Iniciais, e eu tenho oito filhos de militares que estão pleiteando, três obviamente vão ficar de fora. E assim acontece para todas as etapas.
De maneira que hoje, como eu falei, nós temos 38% dos nossos alunos desses 800 são pessoas da sociedade que não tem vínculo nenhum direto com os militares.
SETE DIAS – Além disso, o CTPM também possui parcerias?
Major Robson – Nós temos parceria em todos os segmentos. Por exemplo, nós temos projeto aqui com cooperativas e bancos que instruem os nossos alunos aqui com palestras na questão de educação financeira. Outros educandários, sobretudo faculdades, vêm para cá fazer palestra, propor bolsas de estudo, metade de bolsas, por quê? Porque nossos alunos, de fato, eles demonstram um perfil mais comprometido.
Além destes temos parcerias com instituições como a Embrapa, EMATER; na esfera do legislativo, são muitos vereadores que vêm aqui na escola, que participam de projetos… O prefeito [Douglas Melo] é um grande parceiro, já veio aqui algumas vezes, diversas vezes. Nós já o condecoramos aqui na escola com medalha.
Judiciário, o Ministério Público, Polícias Civil e Penal e também do 4º Grupamento de Artilharia Antiaérea (GAAAe)… Por aí, você vê como o CTPM movimenta a cidade inteira e a gente acredita que escola grande tem que fazer sinergia, tem que conversar com todos esses atores que estão envolvidos no nosso contexto social.





