EXCLUSIVO | Justiça condena três por matar vigilante durante assalto em Sete Lagoas

A 3ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri Sete Lagoas condenou, nesta quinta-feira (5), três homens pelo latrocínio que resultou na morte do vigilante Victor Henrique Santos, durante um assalto à Multitécnica, na zona rural do município em fevereiro deste ano. Dois envolvidos seguem presos; o terceiro envolvido recebeu benefício de recorrer da sentença em liberdade.

Victor Henrique foi baleado, ficou um mês internado e acabou morrendo / Foto: reprodução redes sociais / SeteLagoas.com.br
Victor Henrique foi baleado, ficou um mês internado e acabou morrendo / Foto: reprodução redes sociais / SeteLagoas.com.br

O SETE DIAS teve acesso a sentença. Gilvan Bastos de Oliveira recebeu a maior pena: 40 anos de prisão e 363 dias-multa. O réu é multirreincidente e praticou o crime enquanto cumpria penas de outros processos, inclusive em prisão domiciliar. Pedro Henrique Moreira Souza recebeu pena de 20 anos e cinco meses de reclusão e 110 dias-multa. Estes irão cumprir a pena em regime fechado.

Já Jefferson Martins da Silva Reis foi condenado a 23 anos e quatro meses de reclusão, além de 126 dias-multa, mas pode recorrer em liberdade. Para a juíza Elise Silveira dos Santos, foi considerado que o acusado respondeu ao processo solto e que não houve pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para a decretação de sua prisão preventiva.

Premeditação e participação de mais criminosos

Na fundamentação, a magistrada destacou que o crime foi premeditado e praticado durante a madrugada, com a participação de pelo menos cinco pessoas. A invasão ocorreu após os envolvidos escalarem um muro de aproximadamente 3,5 metros e arrombarem cadeados e armários para retirar ferramentas e peças da empresa. A sentença também considerou a superioridade numérica dos invasores em relação ao vigilante, circunstância que reduziu a capacidade de reação da vítima.

As defesas dos acusados apresentaram pedidos de absolvição e questionaram provas utilizadas no processo. Entre os argumentos estavam a alegação de confissões informais sem registro audiovisual, supostas irregularidades na cadeia de custódia e a ausência de perícia de comparação balística.

Os questionamentos foram rejeitados pela juíza. Na avaliação dela, os relatos dos policiais foram coerentes entre si e estavam amparados por outros elementos independentes, como provas periciais, documentos, imagens e declarações colhidas durante a investigação.

A sentença também considerou a apreensão de um revólver calibre .38 na residência de Jefferson. O laudo apontou que a arma estava em condições de funcionamento, enquanto o projétil retirado do corpo da vítima era compatível com o mesmo calibre.

A decisão registrou ainda que Gilvan e Pedro haviam admitido informalmente a participação no crime aos policiais militares. A juíza reconheceu a confissão como circunstância atenuante para os dois, embora tenha considerado o conjunto probatório como fundamento da condenação.

No caso de Jefferson, a magistrada não reconheceu circunstâncias atenuantes ou agravantes na segunda fase da dosimetria. A pena foi mantida em 23 anos e quatro meses, com regime inicial fechado, mas o direito de recorrer em liberdade foi concedido.

A Justiça não fixou indenização mínima para os familiares de Victor nem para a empresa Multitécnica. A justificativa foi a ausência de indicação de valores específicos pelo Ministério Público na denúncia, requisito considerado necessário para estabelecer a reparação na sentença criminal. Entretanto, que os familiares da vítima e os dirigentes da empresa poderão buscar as indenizações que considerarem pertinentes na esfera cível. A sentença também determinou que a família de Victor e a Multitécnica sejam comunicadas oficialmente da decisão.

O crime

O crime aconteceu pouco depois da meia-noite de 23 de fevereiro de 2026, na unidade industrial da Multitécnica, às margens da rodovia MG-238. Conforme a investigação, o grupo invadiu o estabelecimento para furtar ferramentas e peças armazenadas no galpão.

Os envolvidos escalaram o muro lateral da empresa, arrombaram cadeados e armários e começaram a retirar materiais. A movimentação foi percebida pelo sistema de monitoramento, e a equipe de segurança foi alertada sobre a presença de pessoas no interior do estabelecimento.

Durante a ronda, Victor Henrique Santos surpreendeu os invasores. Ele foi atingido por disparos de arma de fogo na região torácica. Os criminosos fugiram do local após os tiros, deixando para trás vestígios da ação, entre eles ferramentas utilizadas para romper os cadeados e arrombar os armários.

Victor foi socorrido em estado grave e encaminhado para atendimento médico. Ele permaneceu internado por várias semanas, mas não resistiu às complicações decorrentes dos ferimentos e morreu em 10 d