Empresas de Sete Lagoas estão sendo convidadas a integrar um projeto que busca a ressocialização de presos através do trabalho. O programa Resgatando Vidas Conexão Trabalho, uma realização entre o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Polícia Penal e a Unidade de Prevenção à Criminalidade de Sete Lagoas, fará um evento na próxima quinta-feira (18) a partir das 8h para conscientizar o setor privado e promover a dignidade destes detentos.
O projeto existe desde 2024, atendendo atualmente 50 presos do regime semiaberto – agora, o programa quer chegar àqueles que cumprem o sistema fechado: “Estamos com esse novo chamamento para que a gente possa sensibilizar esse empresariado da grande possibilidade que é utilização dessa mão-de-obra carcerária. As vantagens econômicas que isso gera para é uma contratação muito mais barata do que a comum e, além disso, os efeitos benéficos que isso gera para a sociedade: é uma pessoa que está tendo uma ressocialização efetiva”, aponta o promotor de Justiça André Luiz Nolli Merrighi.

Para atender esta demanda, as empresas serão convidadas a montar galpões com maquinário dentro do Presídio Promotor José da Costa. O grupo estima um universo de 400 detentos aptos para o trabalho em Sete Lagoas – estes são selecionados através das avaliações internas e recebem cerca de R$ 1215,00, correspondente a 3/4 do salário-mínimo (valor que é repartido entre o Estado, familiares, e aprovisionado em uma conta): “Ganha o preso que ele, além de trabalhar, tem a remissão da pena e ainda guarda o dinheiro para quando ganhar a liberdade e também ajuda a família com essa colaboração da parte do salário”, completa André Merrighi.
No universo da segurança pública, o trabalho não é só uma forma de ressocialização; é também uma maneira de manter a ordem e tranquilidade dentro do presídio, como diz o chefe da Polícia Penal em Sete Lagoas Edson Peixoto: “Há um ditado entre nós que o indivíduo privado de liberdade que trabalha não dá trabalho. Todos os detentos que estão em alguma atividade laboral quando chega o fim do dia querem descansar, e o trabalho vai influenciando também no comportamento dele dentro da unidade prisional. Porque ele sabe que se ele aprontar alguma falta disciplinar, sai daquela vaga e passa para outro. Como a gente tem uma carência de vagas de atividade então eles dão muito valor nisso; então você consegue perceber no dia-a-dia o comportamento dos que trabalham que é muito melhor dos que não trabalham”.
A apresentação do Resgatando Vidas Conexão Trabalho acontecerá no auditório da Associação Comercial e Industrial de Sete Lagoas (ACI) e terá participação da Unidade de Prevenção à Criminalidade de Sete Lagoas (PrEsp), que faz o acompanhamento dos indivíduos após a sua liberdade, buscando a sua integralização à sociedade. “A empregabilidade é um pilar essencial para o resgate destas vidas. O apelo é para sensibilizar a sociedade de que criminalidade é um problema de todos e uma vida resgatada é uma vida a menos que irá fazer o mal”, diz Gabriela Viana, gestora da PrEsp na cidade.





