por Renato Alexandre

A queimada que devastou a Serra de Santa Helena durante seis dias foi tema de uma apresentação do comandante da 5ª Cia Independente do Corpo de Bombeiros, Major Luiz Paulo Barbosa Araújo, na reunião semanal de vereadores, na última terça-feira, 14. A presença no plenário foi uma tentativa de mobilizar as forças políticas e motivar investimentos para implantar mecanismos de defesa em um dos maiores patrimônios ambientais e turísticos de Minas Gerais.

A apresentação do Major Luiz Paulo foi iniciada com uma analogia da tragédia ambiental, que começou no dia 30 de setembro e só foi contida totalmente no dia 5 de outubro. Com imagens, o militar mostrou o trabalho contínuo da força-tarefa que ainda reuniu a Brigada de Incêndio da APA, Guarda Civil Municipal, Exército (4º GAAAe), SAAE, Prefeitura de Sete Lagoas, Codesel e voluntários. “Foi uma semana atípica na região com a umidade muito baixa e ventos fortes. Com isso, quando as equipes chegavam antes da 6h da manhã as chamas já estavam altas. Isso não é comum neste horário do dia quando, normalmente, existe mais umidade”, destacou.
Para apresentar a dimensão do estrago provocado pelo fogo, foram reveladas imagens aéreas do momento do combate e de satélite atualizada após a ocorrência. “Foi gigantesco”, define o Major Luiz Paulo que tem vasta experiência neste tipo de ocorrência em várias regiões de Minas Gerais. O recorte da área queimada totaliza 349 hectares o que representa mais de 350 campos de futebol.

A queimada já é considerada uma das maiores da história recente de Sete Lagoas e atingiu áreas de uso restrito, moderado e boa parte da área de conservação. “Foi trágico e precisamos de investimentos para mitigar este tipo de ocorrência”, pontou o Major Luiz Paulo.
Para apontar a necessidade de tais medidas de prevenção, o comandante da 5ª Cia de Bombeiros revelou situação que dificultaram a ação. “É muito necessário um ponto de abastecimento. Neste caso, os caminhões pipa só conseguiam reabastecer na cidade. Isso provocou demora, muita demora”. Quanto às medidas emergenciais foram citadas: segurança eletrônica, manutenção dos aceiros em locais estratégicos, reflorestamento e instalação de hidrante próximo a sede da Brigada.
Segundo registros do Corpo de Bombeiros, o incêndio começou na área da APA Santa Helena na BR-040. A primeira ação de combate foi na tarde de terça-feira, 30 de setembro, quando na fase aguda as chamas atravessaram a denominada “Trilha do Cachorro Louco” e ficaram fora de controle. “Neste momento tivemos uma derrota. Estávamos com mais de 30 pessoas trabalhando e perdemos. As chamas chegaram e com o vento forte passaram por todos nós”, recordou o Major Luiz Paulo. Porém, a vitória final também foi destacada. “Na trilha que sai das antenas de telecomunicações e vai até a avenida Nações Unidas, um aceiro de 80 centímetros permitiu o acesso e o controle. O trabalho pelo chão contou com o apoio da mais de 50 lançamentos de água pelo helicóptero. Foi uma grande vitória porque já estava perto da área turística que inclui a Capela de Santa Helena”, completou.
O vereador Caio Valace ressaltou a constância de ocorrências de queimadas na Serra de Santa Helena anualmente em épocas de estiagem. “Esse sofrimento ocorre todos os anos. As estratégias apontadas devem ser adotadas imediatamente para evitar que este dano se repita”. A suspeita de incêndio criminal é forte e uma perícia administrativa do Corpo de Bombeiros deve nortear as investigações.
A proposta com medidas de prevenção também já foi apresentada à secretária municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico e Agropecuária, Gabriela Moura.





