Unifemm reduz estrutura para equilibrar contas

Reitora Viviane Mayrink explica que o motivo da descontinuação de cursos atende a um projeto administrativo para zerar dívidas históricas da instituição

por Renato Alexandre

O Centro Universitário de Sete Lagoas – Unifemm passa por um processo contínuo de mudanças estruturais, administrativas e acadêmica há mais de dois anos. Medida essencial para dar mais sustentabilidade financeira, manter os compromissos em dia e, principalmente, atender a exigências do Ministério Público de Minas Gerais para que uma parte do terreno da instituição seja vendida. A ideia é fazer caixa para quitar dívidas acumuladas há mais de uma década. Neste sentido, foi preciso descontinuar cursos que não se sustentavam com as mensalidades pagas pelos alunos. Na entrevista a seguir, a reitora Viviane Tompe Souza Mayrink detalha este fato e também fala da situação atual da instituição e de planos para o futuro.

SETE DIAS – Foram confirmadas mudanças na grade de cursos do Unifemm para 2026?

Viviane Mayrink – Fomos levados a encerrar a oferta de alguns cursos em razão de um documento assinado junto ao Ministério Público em que vários compromissos foram assumidos no sentido de dar mais sustentabilidade financeira. São cursos que apresentam despesas muito altas, muito além das mensalidades pagas pelos alunos. 

SD – Quais os principais motivos para a descontinuação destes cursos?

Viviane Mayrink – Para que o Ministério Público autorizasse a venda de terrenos de uso da FEMM, visando quitar dívidas acumuladas ao longo de mais de 10 anos, tivemos que assumir compromissos e cronogramas que nos impõem tornar o UNIFEMM mais produtivo e equilibrado do ponto de vista financeiro. Em outras palavras, precisamos gerar recurso e não podemos nos dar ao luxo de manter cursos que ocasionam prejuízo. 

SD – Este processo envolvendo tais cursos é um reflexo do cenário regional ou uma tendência no Brasil? 

Viviane Mayrink – Essa prática de descontinuar cursos é muito corriqueira entre instituições de ensino privadas. O UNIFEMM é privado, mas por ter finalidades filantrópicas através da distribuição de bolsas e descontos, muitas pessoas nutriram a ideia de que o UNIFEMM poderia suportar um mercado competitivo como está a educação com uma mentalidade de universidade pública, que recebe aportes do governo independentemente do desempenho financeiro. Esse é um grave erro ideológico: o filantrópico para fazer filantropia precisa gerar recurso financeiro e se equilibrar. Só assim se consegue ajudar quem necessita.

A reitora Viviane Mayrink

SD – Quais cursos foram descontinuados e quais outras mudanças ocorreram? 

Viviane Mayrink – Os cursos Educação Física e Ciências Biológicas (Bacharelado) e Negócios Imobiliários (Tecnólogo) foram descontinuados. O Direito migrou do turno matutino para o noturno.  Já migram do presencial para a modalidade semipresencial Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia de Produção Mecânica e Engenharia Química. 

SD – Qual foi o tratamento com os acadêmicos que estavam matriculados nesses cursos?

Viviane Mayrink – Foram imediatamente avisados assim que se concretizou a assinatura documento com o Ministério Público, em 19/12/25. Muitos migraram para as alternativas oferecidas pelo próprio UNIFEMM (formato EAD, turno matutino). Outros estamos auxiliando em alternativas com outras instituições privadas. Mas fato é que tudo foi e está sendo executado em conformidade com o Ministério da Educação. 

SD – Atualmente, o Unifemm oferece quais cursos presenciais e à distância? As opções para Pós, Mestrado e Educação Continuada continuam fortes?

Viviane Mayrink – Estão em oferta 32 cursos na modalidade presencial, semipresencial e à distância. 

– Oferta de cursos presenciais (10 cursos): Administração, Biomedicina, Ciências Contábeis, Direito, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Medicina Veterinária, Nutrição e Psicologia

– Oferta de cursos semipresenciais (5 cursos): Engenharia Agronômica, Engenharia Civil, Engenharia de Produção, Engenharia Elétrica e Estética e Cosmética

– Cursos à distância (17 cursos): Administração, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Ciências Contábeis, Design Gráfico, Gestão Ambiental, Gestão Comercial, Gestão da Tecnologia da Informação, Gestão de Agronegócio, Gestão Financeira, Gestão de Recursos Humanos, Segurança Pública, Gestão Pública, Logística, Marketing, Pedagogia, Processos Gerenciais e Teologia

SD – Diante deste cenário, quais são os principais desafios para 2026 e os próximos anos?

Viviane Mayrink – Os desafios são normalizar a operação, equilibrar as contas com sobras financeiras, e continuar priorizando a qualidade, que sempre foi inquestionável. Apesar das veiculações de mídia da concorrência, o UNIFEMM continua e volta com novo fôlego.

SD – Qual a prioridade e qual o cronograma para retorno das atividades do Unifemm este ano?Viviane Mayrink – A prioridade agora é efetivar a venda das glebas, que são verdadeiras joias para o mercado imobiliário, em geral, em especial para investidores. E o nosso cronograma acadêmico segue com normalidade. Já estamos recebendo as matrículas para os que pretendem começar a estudar e para aqueles que já são nossos alunos, assim como para aqueles que pretendem se transferir de instituição para estudar no UNIFEMM.