CHICO MAIA – Na estratégia, na raça

E na genialidade de Messi, Argentina vira contra a Inglaterra e vai à final contra a Espanha. Ciente que a sua condição física era inferior à da Inglaterra, a Argentina tentou travar o jogo desde o início, com faltas e troca curta de passes, na expectativa de poupar fôlego enquanto pudesse, para decidir a partida num lance ou jogada genial de Messi ou um outro.

A Inglaterra manteve sua forma de jogar, fria, calculada, sem erros de passes e um sistema defensivo muito eficiente. O primeiro tempo foi amarrado, de nervos à flor da pele, sem grandes arriscadas de lado a lado. Mas a Inglaterra teve três lances de perigo contra um da Argentina.

Depois de lançamento e troca de passes espetacular, a Inglaterra fez 1 a 0 e passou a só se defender, com 11 jogadores. Impossível resistir o tempo todo desse jeito.

O segundo tempo foi outro jogo com os dois times tentando atacar desde o início. Depois de lançamento e troca de passes espetacular, a Inglaterra fez 1 a 0 e passou a só se defender, com 11 jogadores. Impossível resistir o tempo todo desse jeito. O argentinos partiram pra cima, com tudo, obrigando o goleiro Jordan Pickford a fazer duas defesas espetaculares. Num jogo de ataque contra defesa, e aos 40 minutos, Enzo Fernandez recebeu de Messi, arriscou um chute frontal, de longe e o Pickford aceitou.

Empurrada pela torcida, a Argentina continuou em cima e a Inglaterra acuada, se defendendo com 11. Até que, aos 47, Messi cruzou uma bola na cabeça do Lautaro Martinez que virou o placar.

Vitória merecida e perspectiva de uma grande final contra a Espanha.

A grande decepção

O craque Mbappé definiu bem os 2 a 0 da Espanha: “… quando você joga contra um time assim, você gasta tanta energia perseguindo a bola que, quando finalmente a consegue, já está exausto. Antes de mais nada, parabéns à Espanha. Eles mereceram a vitória. É frustrante, mas essa é a realidade.

Repórter: você pareceu isolado por longos períodos. Isso foi porque a França não conseguiu encontrá-lo, ou por causa da forma como a Espanha se defendeu?

Mbappé: É um pouco dos dois, mas principalmente por causa de como a Espanha joga. Para ser honesto, jogar contra a Espanha hoje foi quase a mesma coisa que jogar contra o Barcelona. O estilo é muito semelhante. Eles são tão bons tecnicamente com a bola que não só mantêm a posse, eles te sufocam com ela. Todo jogador se sente confortável recebendo sob pressão, cada passe tem um propósito, e eles fazem o campo parecer duas vezes maior quando têm a bola e metade do tamanho quando você a tem.

Como atacante, houve momentos em que olhei ao redor e percebi que não tocava na bola havia vários minutos. Não porque meus companheiros não quisessem me encontrar, mas porque a Espanha simplesmente não nos deixava respirar. Contra um time que joga futebol assim, se você estiver mesmo que cinco por cento abaixo do seu nível, eles te fazem parecer comum.”

Falou e disse!

Brasil x Itália 1982

A fala do Mbappé após a eliminação foi um ótimo exemplo de bom senso, humildade e reconhecimento ao adversário, principalmente depois de uma derrota histórica como essa. É preciso dizer mais alguma coisa sobre esse jogo? A França 2026 foi bem semelhante à seleção brasileira da Copa da Espanha em 1982. Aquele time fantástico do Telê Santana era tido como imbatível, mas foi surpreendido por uma Itália quase perfeita, além de cometer erros coletivos e individuais que são lamentados até hoje.

Que situação!

Como dizia aquela dona de uma novela global, cujo nome não me lembro. Que constrangimento para a Globo: anunciar que França x Espanha, só na CazéTV, e acompanhamento “de todos os lances” pelo Ge. 

Como faz em todo jogo de futebol profissional minimamente importante, o portal de esportes da Globo, o Ge, dá a ficha da partida e informa quais canais vão transmitir. Como o Grupo Globo só comprou 50% dos jogos da Copa, não pode transmitir as duas semifinais. Só a CazéTV tem os direitos de 100%, por motivo muito simples: vacilo dos engravatados executivos da Globo, que em 2021 não acreditavam na força futura dos meios digitais, YouTube principalmente, e não quiseram negociar uma “merreca” a mais pela exclusividade digital nas Copas de 2022 e 2026.

Eles não imaginavam que antigos e competentes publicitários, que foram ligados à Traffic (do Jota Havilla) e Esporte Interativo, estavam prontos para dar o bote:Edgar Diniz e Sérgio Lopes criaram a LiveMode, investiram no ex-funcionário Casimiro Miguel, que já chamava a atenção com o seu canal, e deu no que deu. Sucesso absoluto!


“França x Espanha: onde assistir ao vivo, horário e escalações”
Veja também arbitragem e outras informações da semifinal da Copa do Mundo de 2026

Por Redação do ge — Boston, EUA

Onde assistir

  • Tempo Real: o ge acompanha todos os lances da partida (clique aqui).
  • Transmissão: Cazé TV.”

Voltas que a vida dá

Esse erro estratégico da Globo faz lembrar a história do início da decadência da Editora Abril, quando o comandante Roberto Civita desdenhou da proposta de Roberto Marinho de se tornarem sócios na Globosat, TV por assinatura, via satélite. A ideia era unir a principal especialidade de cada grupo, além do jornalismo e entretenimento: a tecnologia da Globo com o poder das assinaturas da Abril. Só a revista Veja tinha na época, mais de um milhão de assinantes. Civita até topava, mas queria ficar com 60% do negócio, alegando que já estava criando a TVA, por meio de cabos.

Marinho buscou outros sócios, no exterior, investiu alto no satélite e tomou conta do setor no Brasil. A TVA se arrastou investindo no cabeamento, se deu mal e a Editora Abril iniciou seu processo de falência. Essa história está no livro O Dono da Banca, excelente obra do jornalista Carlos Maranhão, biografia do Roberto Civita, lançado em 2016. Uma aula sobre Comunicação e boa parte da imprensa brasileira, que vale a pena ler.

Missão cumprida

Credencial oficial da FIFA, minha companheira 24 horas, em todo lugar, não só nos ambientes da Copa. Nos Estados Unidos de Trump, andar sem documento pode significar detenção e ida para uma prisão que não é informada a ninguém. Até que se apure a condição legal do sujeito, o risco de morte ou deportação sumária é altíssimo. É o atual país da “maior democracia do mundo”. Totalmente diferente da primeira Copa que eles receberam, em 1994.

O novo Cosmos

Entre um intervalo de um jogo e outro, tive a oportunidade de conhecer lugares históricos de Nova Iorque e Nova Jersey, como o atual estádio do New York Cosmos, o lendário time que, nos anos 1970/1980, deu o chute inicial no futebol profissional dos EUA, levando para jogar lá astros como Pelé, Franz Beckembauer, Carlos Alberto Torres, Cubijas e tantos outros.

Aí está o Hinchliffe Stadium, na cidade de Paterson, do outro lado do rio Hudson, no estado de Nova Jersey, para 10 mil pessoas.

Antes de Pelé e cia., o Cosmos jogava para público médio de 500 pessoas, com Pelé e cia., passou a jogar para 80 mil, no Giants Stadium, onde hoje está o Met Life, palco da final da Copa.

Agora, em Paterson, neste estádio, joga para 10 mil. Faz lembrar o Independência em Beagá, o antigo Juca Ribeiro, em Uberlândia e até o nosso saudoso José Duarte de Paiva em Sete Lagoas, onde atualmente é o Supermercado BH.

Energia cara

Nos estádios da Copa todos os serviços possíveis para o conforto dos torcedores, desde que devidamente pago. Como essas estações de carregamento de celular: 10 dólares (R$ 52), por 30 minutos ligado numa das muitas tomadas à disposição num dessas máquina espalhadas nas áreas dos bares.

Paga quem quer e pode

No jogo em que a Noruega eliminou o Brasil, o ingresso nessa posição do estádio MetLife custava em torno de R$ 23 mil. Incrível como alguém tem coragem de gastar tanto dinheiro por um ingresso de uma partida de futebol. E não era o lugar mais caro. Na final, entre Argentina e Espanha, vai custar até cinco vezes mais, dependendo da posição.

Estúdio frigorífico

A tribuna de imprensa do MetLife Stadium (NYNJ) é uma mistura de estúdio de rádio/TV com uma “câmara frigorífica”. Ar condicionado na casa dos 15 graus; não se ouve o barulho da torcida e quando saímos lá de dentro nos deparamos com quase 40 graus de temperatura. Uma beleza para acabar com a garganta de qualquer um. À minha frente, à esquerda o Casagrande, ao lado do Paulo Vinícius Coelho – PVC.

Gregos e “goianos”

Fila quase sempre quilométrica de jornalistas, fotógrafos e operadores técnicos da imprensa para entrar no MetLife e em qualquer estádio durante a Copa.

Do mais famoso ao mais desconhecido do mundo, dessa fila não escapa ninguém, e todos passam pela segurança mais rigorosa que se viu.

Piano na rua

Da loucura urbana diária, dos arranhas céus, buzinas e cirenes de Nova Iorque ao sossego e ambiente inacreditável de cidades do interior, depois de atravessar o rio Hudson para Nova Jersey, onde a qualidade de vida vem em primeiro lugar. Na cidade de Monclair, perto de onde estava o hotel da seleção brasileira, um comerciante disponibiliza um piano em frente à sua loja, para quem quiser tocar, 24 horas por dia.

O Catar manda lembranças

Para quem reclamou que a cerveja estava cara demais nos estádios da Copa do Catar 2022 (R$ 60 com álcool, R$ 30, sem álcool), nos Estados Unidos 2026, 18 dólares, (R$ 93 neste dia), convertidos imediatamente em reais, conforme mostra a notificação do cartão de crédito no ato da compra.

Ecos do Passado

A seleção brasileira dirigida por Sebastião Lazzaroni acabava de ser eliminada pela Argentina (gol do Caniggia) nas oitavas de final da Copa da Itália em 1990. Momentos antes do fim da partida eu fui ao estacionamento do estádio Deli Alpi para buscar o gravador que tinha esquecido no carro. Na volta para o setor da tribuna de imprensa, saindo do elevador, me deparo com ele, tentando ir embora de fininho, sem ser notado, antes de o jogo acabar. Já liguei o gravador e consegui sete minutos de fala, exclusiva, do Pelé, gentil e paciente como sempre.