FINEP Rodada 2: R$ 3,3 bilhões disponíveis e o prazo corre

por Janayna Bhering (@janaynabhering)
Engenheira com Mestrado em Ciência e Tecnologia; Especialista em Estatística Aplicada a Processos (Six Sigma Black Belt) e Gestão da Inovacao; Doutoranda em Inovação e Tecnologia pela UFMG.

Em política de inovação, o que define o impacto real de um programa não é o volume de recursos anunciados, mas a capacidade efetiva do setor produtivo de acessá-los com preparo. Nesse sentido, a segunda rodada do programa Finep Mais Inovação Brasil, lançada em 6 de fevereiro pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), chega em um momento favorável, mas exige das empresas uma postura que vai muito além de preencher um formulário.

A Rodada 2 coloca em jogo R$ 3,3 bilhões em recursos não reembolsáveis, distribuídos em 13 editais temáticos, com prazo de submissão até 31 de agosto de 2026. A subvenção econômica, diferentemente das modalidades reembolsáveis, não impõe retorno financeiro direto ao proponente. Trata-se de um instrumento desenhado para absorver o risco tecnológico inerente a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, cobrindo despesas como pessoal qualificado, equipamentos, consultorias e serviços de terceiros.

Os editais estão organizados em trilhas alinhadas às seis missões estratégicas da Nova Indústria Brasil: saúde, transição energética, transformação digital, cadeias agroindustriais sustentáveis, defesa nacional e economia circular e cidades sustentáveis. Cada chamada tem regulamento próprio. Os valores por proposta variam entre R$ 5 milhões e R$ 30 milhões, com exigência de parceria obrigatória com Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), e os projetos devem apresentar maturidade tecnológica entre os níveis TRL 3 e 9. A contrapartida financeira varia conforme o porte da empresa, de 5% para microempresas a 50% para grandes empresas.

Mais do que um conjunto de chamadas, a Rodada 2 representa uma inflexão na oferta de fomento público. Em vez de editais generalistas, o governo passa a premiar projetos com aderência clara a agendas estratégicas, fundamentação técnica demonstrável e plano de execução crível. Os resultados da Rodada 1 reforçam essa leitura: mais de 200 projetos contratados, cerca de 2.800 pesquisadores mobilizados e 140 ICTs envolvidas. Evidência de que o modelo gera resultado quando há estrutura de proposta por trás da submissão.

O gargalo histórico não está na disponibilidade de recursos, mas na capacidade das empresas de transformar ideias em projetos tecnicamente sólidos, estrategicamente posicionados e operacionalmente viáveis. O prazo de 31 de agosto é generoso em extensão, mas exíguo para quem ainda não iniciou o diagnóstico de aderência ao edital correto, a identificação de ICT parceira e a estruturação do plano de trabalho e orçamento. Além disso, o volume de recursos possivelmente não será suficiente para atender a toda a demanda e corre o risco de acabar antes do prazo previsto. Empresas que já operam em ecossistemas de inovação aberta e contam com apoio especializado partem com vantagem real.

Nesse contexto, o papel do ecossistema de suporte, hubs de inovação, consultorias especializadas em fomento e centros de pesquisa aplicada, é decisivo para ampliar o número de projetos competitivos. A oportunidade está na mesa. O que define quem a aproveita é, como sempre, o grau de preparo.