O Grito dos Excluídos 2021

12/09/21 - 08:58

Padre Warlem Dias

O 27º Grito dos Excluídos (as) foi celebrado na Diocese de Sete Lagoas-MG. Organizado pela comissão de Promoção humana e Ecologia Integral, O grito teve como tema: “A Vida Em Primeiro Lugar”, na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda já.

O nosso local foi a Ocupação Cidade de Deus, que abriga 96 famílias na luta por moradia. Dom Francisco Cota esteve presente com palavras de apoio e esperança nas lutas sociais. O grito que se fez ecoar foi do abandono dos considerados invisíveis pela sociedade e Estado, onde ninguém chega até essas pessoas. O grito ecoou na falha dos três poderes, juntando ao Ministério Público, que não deveria falhar, mas falha.  A imprensa deveria chegar, mas a conta é alta, também não chega. Quando chega vem com a força repressiva policial para levar cadáveres. Vivemos este círculo vicioso. 

E cantamos: “Nossos direitos vêm! Se vêm nossos direitos, o Brasil perde também.”

E falamos da história que nos contaram com moldura colonizadora. Lembramos o samba da Mangueira “Brasil, meu nego deixa eu te contar a história que a história não conta, na lura que a gente se encontra...”

E gritamos por saúde, comida, moradia, trabalho e renda já! O grito se estendeu e apanhou outros gritos.

O grito apanhou outros mais de 6.000 indígenas acampados em Brasília, no julgamento do marco temporal, na luta por suas terras.

O grito apanhou as falas de dom Walmor “Quem se diz cristão ou cristã deve ser agente da paz e a paz não se constrói com armas. Somos todos irmãos. Essa verdade é sublinhada pelo Papa Francisco na carta encíclica Fratelli Tutti.” Gritou que a fome é realidade para quase 20 milhões de brasileiros.” Ainda enfatizou: “Não se deixe convencer por quem agride os poderes legislativo e judiciário. A existência de três poderes impede a existência de totalitarismos.” Encerra: “O bem não é conquista, mas uma construção permanente, demanda a nossa dedicação a cada dia”. Papa Francisco.

Henrique da ocupação CDD, pegou o grito e questiona: Por que nos criminalizar? Não foi uma escolha estar aqui! Por que não conhecer primeiro? Coloque os pés na ocupação! Enfatiza: se os direitos fossem observados não estaríamos aqui. E adianta: abraçar, amar e cuidar foi a prática de Jesus.   Hoje é dia de agradecer e abrir para que todos conheçam a nossa luta. Aqui não há ensaio. É a luta do dia a dia. E grita: Se dependesse do poder público não teríamos nada.  Não somos oportunistas! Estamos em busca de oportunidades. Não iremos desistir! Lutaremos por direitos. Não julgue! Estenda a mão! 

Lutar por moradia é luta pela vida! E o grito continua...