Tempos de muitas alterações

09/05/21 - 07:06

Padre Evandro Bastos

De repente um medo, uma insegurança e mais preocupações. O ator que nos fazia rir, nos faz chorar, e o jovem desesperado com o facão na mão, silencia a professora. O que está acontecendo? Já vimos tantas coisas e a história nos ensinou tantos caminhos! Esquecemos tudo? Estamos com a memória de ex-ministro em CPI. Não lembramos os massacres históricos, as pandemias e epidemias, guerras, chacinas e inúmeras violências, ficaram nos livros?

Existem afirmações diversas de que não somos uma espécie naturalmente amorosa. Nascemos instintivamente violentos e facilmente revelamos nosso lado mais cruel. Temos uma capacidade enorme de nos deixarmos tomar pelas emoções, mas somos naturalmente defensivos, agressivos e brigamos por verdades impostas ou afirmações que nem ajudamos a refletir e amadurecer. Nos empenhamos no caminho da coragem para eliminar e poucas vezes, para escutar, compreender, aceitar e resignificar.

Acredito que em outros momentos em que a humanidade já esteve assim tão perto da loucura havia o facilitador da ausência de processos múltiplos de comunicação. Não existiam redes sociais, transmissões online ou fotos simultâneas em quantidade avassaladoramente multiplicadas. Talvez isso explica porque alguns preferem tentar se afastar agora dos noticiários, para não serem tão tomados pelas notícias. O que não faz terminar a tristeza desses tempos e a realidade dos fatos que estamos vivendo.

Sim: estamos muito perto de experiências enlouquecedoras! Como assim? Todo grande processo de alteração da consciência; alteração senso-perceptória; alterações do tempo e da memória; alterações do pensamento, da linguagem e da afetividade, são fenômenos próprios à abertura de portas para o desequilíbrio mental. Numa sociedade que já está desequilibrada em todos os seus pilares, somos vítimas predispostas ao adoecer. Afirmo: Não podemos mais negar que dói ser humano, ser gente, ser frágil, ser carente, ser social. Por isso, precisamos uns dos outros para nos reencontrarmos. Precisamos sonhar juntos e movimentar a esperança, a coragem e a alegria chorosa e sufocada desses dias.