Há vida após o câncer
por Filipe Felizardo

O câncer não é uma doença que só acomete mulheres maduras, apesar de ser a maioria dos casos. Pacientes jovens também tem sido diagnosticadas, muitas vezes com tumores agressivos. Este foi o caso da empreendedora Cristiane Santos.
O crescimento anormal de barriga mostrou-se depois um cancro de quase 18 centímetros na região do ovário. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), está previsto até o ano de 2028 mais de 8 mil novos casos deste mal em mulheres – geralmente, descobertos de forma tardia e com ligações hormonais.
Passando por um tratamento agressivo, Cristiane não esmoreceu e hoje está curada da doença – apesar do desafio, ela afirma: não precisamos ser fortes o tempo todo e que o apoio de familiares e amigos é essencial para não esmorecer nesta batalha pela vida.
SETE DIAS – Cris, como foi a descoberta da doença? Foi através de exame de rotina?
Cristiane Santos – Aos 25 anos, fui diagnosticada com um tumor maligno raro no ovário direito, em estágio IV.
É um tipo de tumor incomum e agressivo, que pode apresentar crescimento muito rápido. No meu caso, comecei a sentir fortes dores abdominais e percebi que minha barriga estava crescendo rapidamente. Quando o tumor foi identificado, já media 17,5 centímetros.
Não descobri a doença por meio de exames de rotina. Na época, eu não realizava meus exames regularmente, e foram os sintomas que levaram à investigação.
SETE DIAS – Saber deste tipo de diagnóstico é sempre impactante. Como foi para você lidar com o tratamento? O que foi mais difícil?
Cristiane Santos – Realmente, receber o diagnóstico foi muito impactante. Foi um momento que marcou minha vida.
Lidar com o tratamento foi um grande desafio, tanto física quanto emocionalmente. Não é só a doença em si: existe o medo, a incerteza e toda a mudança que acontece na sua vida.
O mais difícil para mim foi ver a minha família sofrendo. A quimioterapia também foi muito difícil, pois eu fazia o tratamento de segunda a sexta-feira, passava muito mal e tive várias complicações. Foi uma fase bastante desafiadora. Precisei encontrar forças para enfrentar cada etapa, inclusive nos dias em que as coisas não eram fáceis.

SETE DIAS – Você contou com o apoio da família e amigos? Como ter um suporte muda a vida de quem está passando por isso?
Cristiane Santos – O apoio das pessoas que estão ao nosso lado faz muita diferença. Eu tive esse apoio, e ter eles ao meu lado, fez parte da minha cura, tenho certeza disso!
Passar por uma doença como o câncer pode ser muito solitário emocionalmente, mesmo quando estamos cercadas de pessoas. Ter alguém que escuta, acolhe, acompanha uma consulta ou simplesmente fica ao nosso lado ajuda a tornar o caminho menos pesado.
Eu tive muito apoio da minha família e dos meus amigos. Às vezes, a pessoa nem precisa ter as palavras certas; só precisa estar presente.
Tenho uma família e amigos incríveis! Sou muito abençoada e grata por ter essas pessoas na minha vida.

SETE DIAS – E a sua recuperação?
Cristiane Santos – A recuperação foi uma etapa muito importante da minha história. Depois de tudo o que vivi, poder retomar a vida e olhar para trás com a perspectiva de quem enfrentou esse processo tem um significado muito grande.
Foi um processo que me ensinou a respeitar meu tempo e a valorizar ainda mais cada etapa.
SETE DIAS – Hoje você é um caso de superação da doença. Como é saber que inspira mulheres que buscam vencer também a doença?
Cristiane Santos – É uma responsabilidade muito bonita e também uma emoção enorme. Se compartilhar a minha história puder ajudar uma mulher a se sentir menos sozinha, a procurar ajuda ou a enfrentar um momento difícil com mais esperança, já vale a pena.
Eu não acredito que precisamos ser fortes o tempo todo para superar uma situação difícil. Podemos sentir medo, chorar e ter dias ruins. O importante é saber que não precisamos enfrentar tudo sozinhas.
SETE DIAS – E como é sua vida hoje, sua rotina após o câncer?
Cristiane Santos – Hoje, sigo construindo minha vida, cuidando dos meus projetos e valorizando muito mais as coisas que, às vezes, passam despercebidas na correria do dia a dia. A experiência do câncer faz a gente olhar para a vida de outra maneira.
Faço reposição hormonal e continuo em acompanhamento oncológico a cada seis meses, porque meu tumor tinha relação com características hormonais. Também mantenho o acompanhamento psicológico.
Poder olhar para trás e reconhecer tudo o que enfrentei é muito significativo. Aos 25 anos, recebi um diagnóstico grave, passei por um tratamento difícil e sobrevivi.
Tenho uma família incrível, amigos maravilhosos, sou muito abençoada, realizada e feliz!
Sinto Deus presente em cada momento da minha vida.
Compartilhar essa história é uma forma de mostrar que existe vida durante e depois de uma experiência tão difícil, respeitando sempre a realidade e o tempo de cada pessoa.






