A escutatória Materna

Um dos desafios mais instigantes nesses tempos de tecnologia e produtividade, é a capacidade de escutar. Parar para ouvir o outro, dar atenção aos seus relatos, escutar as angústias, alegrias e esperanças, oferecer ombro para o choro correr ou simplesmente, ficar ao lado e deixar o outro falar, e falar, e colocar tudo que aperta o peito e confunde os pensamentos, para fora. Essa demanda ajuda na construção de uma saúde mental. A fala organiza os pensamentos e elabora sentimentos, reinterpretando os fatos da vida, dando significado, ou melhor, sentido à vida.

A arte da comunicação protagonizada pelas tecnologias e desenvolvimento da internet parece ter encontrado facilitadores múltiplos: rapidez, clareza, imagens, interação. Entretanto, o que temos visto é um mascaramento das realidades humanas mais angustiantes. O medo, a insegurança, as tristezas da vida vão sendo mascaradas por idealizações ou realidades inatingíveis. Muitas vezes, ninguém sabe o que está por traz de um sorriso brilhante produzido por filtros e máscaras.

É nesse contexto que a humanidade segue. É nesse contexto que muitos morrem ou desistem de viver, assim como muito nascem e se descobrem necessitados de vida ou de encontro de sentido para viver. Em meio a tudo isso, a maternidade segue com a missão geradora, educadora, inspiradora e sensível. Quando nos deparamos com jovens mulheres no exercício de SER MÃE notamos que o dito popular é real: o filho fez nascer uma mãe. Só a chegada da criança gerada ou adotada para os cuidados daquela família, faz nascer a nova condição ou experiência vital da mulher.

Se por um lado os desafios da realidade estão nos exigindo respostas cada dia mais complexas, imagina dar conta de tudo isso, tendo nos braços um novo ser aos seus cuidados. Consideremos que, por maior que sejam os preparativos, nada é igual a realidade da existência e, portanto, as angustias diárias ganham proporções cujas dimensões desencadeiam novas problematizações a cada minuto. Aqui, faz sentido dizer que “ser mãe é padecer”.

A pergunta, portanto, deve ser: Quem escuta essa mulher? Quem dedica tempo para ouvir as angústias, tristezas, alegrias e esperanças de cada MÃE em sua árdua missão? Feliz dia de escuta das mães! Preocupe menos com presentes, ofereça tempo de qualidade para ouvir, para escutar sua mãe.